quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

jjr´s pub part 5


Londres / sexta- 9pm

- essas foram algumas das muitas historias que vivemos juntos, se eu fosse contar todas para você passaríamos a noite aqui.  Seu bisavô era um sonhador, e sempre me metia em encrenca pra por seus planos e ideias em pratica. Lembro-me muito bem do dia que resolvemos fazer o pub. Estávamos em um acampamento da nossa companhia no final da segunda guerra.  Passavam aviões a todo momento, retirando os soldados e trazendo-os de volta pra cá. Era um dia de festa, ele ascendeu o seu charuto e disse:
        - Vamos montar um bar meu amigo, e ele será construído com madeira de um navio naufragado.
Falou e fez! No mesmo dia, ele foi atrás do tal navio. No avião indo para Londres ele conheceu um soldado. A companhia dele havia acertado um navio pirata chinês. Ele vendeu a localização do navio por uma prataria que nós roubamos da casa de um coronel alemão.
- não acredito nisso. - Disse a ele sorrindo, sem realmente ter certeza da veracidade dessa historia.
- essa parede ai que você esta encostado era daquele navio. Quando montamos o primeiro jjr´s pub John J. resolveu guardar um pouco da madeira caso a do pub estragasse. Porém quando ele conheceu Catarina as coisas mudaram. Mas amanhã eu te conto resto, um velho com a minha idade não costuma aguentar passar das dez da noite. Amanhã de manha vou ao porto fazer algumas compras, você vem junto ok.
-sim, eu apareço na sua casa por volta das sete pode ser?
-tudo bem então garoto, a gente conversa mais amanha.

Depois de algumas horas conversando com o melhor amigo do meu bisavô, o velho homem se levantou da mesa. Aparentemente com um pouco de dificuldade para colocar em pé um corpo que transitou por milhares de lugares nos seus oitenta e quatro anos de idade ele negou precisar de ajuda para se levantar. Por algum tempo fiquei ali sentado olhando a textura da madeira tentando imaginar o enorme numero de pessoas que por ali passaram. Sempre fui fascinado por lugares antigos, eles me causavam certa nostalgia.
Meus dias na Inglaterra estavam chegando ao fim. Logo que li as folhas que Camila encontrou naquela noite comecei as buscas para o primeiro jjr´s pub. As folhas possuíam anotações, historias, fotos e alguns desenhos. Infelizmente nenhum endereço do pub aqui na Inglaterra.
Passei mais de uma semana procurando o lugar com apenas uma foto. E finalmente estava ali dentro de um lugar que jamais imaginava que existia. Diante da historia que deu origem a minha família. E cada vez que conhecia mais percebia o quanto eu era parecido com John.

- você esta atrasado, disse as sete. E são sete e meia.
- me desculpa, eu errei o endereço. O taxi me levou para outro bairro. Como estava sem dinheiro acabei tendo que pegar um ônibus...

Fui interrompido por ele com uma risada rouca, que saiu com um pouco de dificuldade. E aparentemente direcionada a mim. E ai ele me disse:
- você é a cara dele, e pior ainda veio com as malditas desculpas que na qual ele era o mestre. Enfim, é bom irmos logo, porque que se eu perder os melhores peixes das docas por sua causa, você vai pesca-los para mim.
- ok então vamos lá, por que eu não entendo nada de pesca.

Ted morava próximo às docas, apenas alguns quarteirões. Ele acabara preferindo ir a pé a pegar um taxi.  Fomos andando bem de vagar devido à idade do homem, porém ele não aparentava estar sofrendo nenhum pouco com a caminhada.

-Faço isso quatro vezes por semana rapaz, e é essa caminhada de três quarteirões e algumas sopinhas que me mantem vivo até hoje. Contei tantas historias do passado que acabei me esquecendo de perguntar sobre você. O que é você faz da vida?
-atualmente estudo, estou terminando o meu ultimo ano de faculdade. E nos finais de semana abria o jjr´s pub. Até o incidente do começo do mês.
- Garoto, é triste saber que o sonho do meu amigo foi destruído pelo tempo. Mas tenho certeza que ele teria orgulho de você ao saber que esta correndo atrás para manter aquele lugar aberto.
- espero conseguir isso, aquele lugar faz parte da minha historia. E também é um refugio de toda a minha rotina.
- você vai conseguir sim. Mas enfim vou continuar a historia que fiquei te devendo ontem a noite. Paramos aonde mesmo?
- Na parte em que ele conheceu Catarina.
- A sim, então vamos lá. Em mais ou menos um ano terminamos de montar o pub. O resto da madeira foi guardada em um deposito onde ficava o barco dele. Alguns dias antes de abrir, fomos mandar fazer o letreiro. E ai surgiu o primeiro nome do pub. Se chamava “Veterans” em homenagem aos nossos amigos de guerra. Nós éramos bem famosos por causa das bagunças que fazíamos nos acampamentos da companhia. Logo que os veteranos souberam do bar, todos foram para lá. E assim o pub fez um grande sucesso. Em um ano nós ganhamos bastante dinheiro, jamais imaginei que conseguiríamos isso. Compramos carros, apartamentos, reformamos o pub, etc. Mas em um certa noite eu senti o gosto amargo do dinheiro.  Era final de ano, muita neve nas ruas e o bar quase que vazio. Fecharíamos mais cedo para irmos para casa de alguns amigos. Estávamos limpando o balcão quando quatro homens entraram no bar com metralhadoras atirando em tudo. Eles eram mafiosos italianos, e estavam lá para fazer uma coisa chamada redução de concorrência. O balcão nos protegeu naquela noite. Mas não o bastante, seu bisavô levou um tiro que quase tirou sua vida.  Eles destruíram o lugar e saíram. Liguei para alguns amigos e eles vieram nos buscar e fomos direto para o hospital. Foi um tiro  de raspão no pescoço, porém ele perdeu muito sangue e não achamos doadores compatíveis entre nossos amigos. Começamos a revirar o hospital a procura de algum medico ou enfermeira de plantão que quisesse ajudar. Até que encontramos Catarina. Ela foi direto ao quarto e doou seu sangue pra ele. Naquela noite ele teve varias paradas cárdicas, os médicos não estavam preparados e nem conheciam o suficiente como hoje. Eu achei que ele iria morrer. Fiz uma oração e prometi que se ele sobrevivesse colocaria o nome dele no pub.  Ele passou alguns dias desacordado, mas era forte e aguentou firme. Catarina de alguma maneira se sentiu muito ligada a ele e ficou lá até ele acordar. Parecia que ela havia se apaixonado por aquele cara que ela mal conhecia.

continua...





                            

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

JJr´s Pub part 4

Quando ela gritou fui direto ao quarto, e logo a vi segurando uma pilha de papeis com um barbante. Não era muito grande parecia ter no máximo umas trinta folhas ali e possuía uma capa de papel velho com um símbolo e o nome do pub. Mas quando começamos a conferir os papeis o que gente menos esperava aconteceu.
Escutamos um monte de passos subindo a escada, aparentemente eram mais de três pessoas. E muitas lanternas iluminando a sala. Na hora pensamos em nos esconder atrás das caixas ali mesmo no quarto mas logo um homem entrou lá com uma super lanterna e disse.
- Parados! Vocês estão presos por invasão de propriedade privada.
Antes de ele terminar de dizer isso o quarto estava lotado de policiais, não sei se aparentávamos ser um casal tão perigoso assim. Algemados e direto para delegacia levados fomos.

-Quer dizer que vocês são os ladroes da padaria. O que me intriga é saber que vocês não estavam roubando a padaria e sim a casa velha de cima. O que é que vocês queriam lá em?
Questionou o delegado com um tom de deboche. E em busca de um perdão antes que o delegado colocasse a interrogação em sua frase eu disse:
-Nós só queríamos alguns documentos do meu bisavô antigo dono da casa. Não somos ladrões.
- É cara de ladrão vocês não tem,  principalmente a moça que por sinal é muito bonita.
Camila sem nenhum pouco de vergonha na cara aproveitou o elogio para tentar nos livrar dessa cilada.
- obrigado senhor, eu nunca havia feito algo desse tipo, é por que precisamos muito desses documentos. Você acha que com um corpo desses eu preciso roubar alguma coisa?
- a senhora pode se sentar e vestir o seu casaco dona Camila, sou muito bem casado e com uma moça bem mais nova que você. E veja bem mais uma dessas suas tentativas de assedio você vai levar você e o seu namorado pra de trás das grades.
Alguns segundos depois ele tirou uma grande gargalhada e disse:
-Vocês dois são um fracasso no crime, entendo o motivo de vocês mas não façam mais isso. Não imaginaram que uma padaria como aquelas não teria nenhum alarme ou algo do tipo e pior que alguém estaria lá na hora que vocês entraram? Vocês dispararam o alarme silencioso das janelas e esqueceram-se das câmeras de segurança que estavam sendo assistidas pelo padeiro que preparava as coisas da cozinha para o dia seguinte. Vocês foram pegos duas vezes. Infelizmente não posso nem pedir mais ao dono da padaria esse tal documento que procuram. E outra terei que deixar vocês por aqui essa noite, o dono da pararia esta lá fora furioso. Então vocês ficaram por aqui hoje.

Aceitamos a pena de uma noite e fomos para nossas celas. Por Camila ser mulher ela ficou em outra cela, que ficava em frente a minha. Sentamos cada um no banco de sua cela e assim comecei a lamentar.

- estive com os documentos em minhas mãos e perdi a chance de leva-los. Apesar de que tem um lado bom. Ganhamos mais uma historia para contar pros nossos netos.
- Eles vão adorar saber que fomos preso por roubar papeis. A gente tem é que inventar uma versão melhor dessas historia depois amor. E outra , pare de se lamentar quando sairmos daqui você poderá ler com muita calma esses documentos .
-O que  ? você esta propondo em voltarmos lá?
- Você é louco? Nem eu que sou meio desparafusada me arrisco a sentar na mesa daquele delegado novamente. Eles estão bem aqui comigo meu bem.

Ela disse isso tirando os papeis de suas costas. A garota era esperta, e como. Quando ouviu os passos ela colocou todos por dentro da calça e da camisa. Com a jaqueta ficaria difícil de perceber que os papeis estavam lá. Tanto que ninguém percebeu, nem mesmo eu.

- você é de mais amor, me lembre quando tudo estiver resolvido de te pedir em casamento.
- se eu estiver disponível eu aviso sim, pode deixar. Disse ela dando uma a sua clássica gargalhada exaltada porem baixinha.

Passamos a noite inteira conversando besteira. Era aquilo que me fazia bem, fazer qualquer coisa ao lado dela. Estava preso e não media a mínima consequência disso. Estava contente em apenas estar ali passando aquele aperto na esportiva com aquela louca que tanto amava.
No dia seguinte saímos cedo da delegacia. Com direito a café da manha e esporro de um casal de amigos nosso. Apesar do esporro eles se amarraram na nossa historia. Ao achegarmos em casa, abri logo o barbante e comecei a ler os documentos.

continuar....







obs: demorou mais saiu, ficou um texto feito meio que nas coxas. Infelizmente não tive muito tempo par escrever o texto com calma por que estou viajando. a sim termino essa historia em no máximo dois capítulos e logo após o fim começo as reformas do blog. Muito obrigado aos comentários de todos e um beijo na testa e até o próximo texto.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Happy New Year !!!




Para começar esse ano escolhi falar da noite de ano novo. Mas não da festa em si e sim da noite em um local em especial. É da noite de ano novo na Times Square que estou falando.  Pra quem não sabe a Times Square é uma das mais famosas avenidas de Nova York, esta localizada na região central da ilha de Manhattan. É um lugar incrível, lotado de letreiros luminoso, uma verdadeira paisagem publicitaria. É de lá que vem um grande sonho meu de não só conhecer o local como de passar a belíssima noite de ano novo de lá.
A vira de ano na Times Square é uma das mais famosas do mundo, e reúne milhões de pessoas todos os anos. Muitos enfrentam um frio de temperaturas negativas para estarem lá. A espera da noite é a descida da famosa bola do tempo que fica em cima do prédio One Times Square. A bola é composta por mais de dois mil e seiscentos cristais e 32.256 LEDs Philips (uma das patrocinadoras do evento). A descida da bola dura um minuto e ao termino ascende um letreiro iluminado com o ano que esta a chegar. Ela é acionada, as 11:59 do dia 31, normalmente é acionada pelo prefeito e um convidado.   Pode parecer sem graça esperar a uma bola brilhante descer, mas  a essência que essa festa me passou é o que me ganha.
A noite é famosa pelos milhares de beijos dados na hora da virada. Tanto que o tema da maior patrocinadora da noite (NIVEA ) é “
Prepare to be Kissed”. Esse tema é devido a um famoso beijo dado por um marinheiro e enfermeira, lá mesmo na Times square no final da segunda guerra mundial. Ambos mal se conheciam, a foto épica passou a representar o final da guerra.                            
                                
(Essa fotografia ficou conhecida como “O Beijo” foi tirada na Times Square no dia 14 de agosto de 1945 por Alfred Eisenstaedt.)

Esse ano tive o prazer de poder assistir pela internet, e achei fantástico. Os shows que antecedem a chegada do ano, aparentemente são bons, porém sem a energia dos que acontecem aqui no brasil. Mas a hora da virada é a parte mais linda de todas.  Os casais e desconhecidos se beijando, os confetes, a belíssima trilha sonora que em quase todos os anos é composta por New York New York, a essência, é realmente lindo.
Li muitas criticas de brasileiros em relação a festa. Muitos reclamando do intenso frio e das regras rígidas da policia. As mochilas são revistadas, e esse ano até as garrafas d’água passaram por teste de radiação. Acredito que nós brasileiros estamos muito acostumados a folia sem limites. Os reflexos disso são os acidentes e as brigas que acontecem a noite de ano novo. Aqui em Brasília, por exemplo, tem sua festa de vira de ano famosa pelas facadas que acontecem no meio da Festa. Acho que as regras são necessárias e tornam a noite mais tranquila e segura.
A festa termina logo após a meia noite. Em pouco tempo a avenida é esvaziada pela policia. Porém a festa de muitos continua NY possui muitos bares e boates para se terminar a noite. Mas acho que para quem esta apaixonado e bem acompanhado não há nada melhor do que ir pra casa e terminar a noite tomando um bom champanhe aquecido ao calor um do outro.

“Eu desejo um feliz ano novo a todos, e que esse ano seja repleto de paz e muito sucesso !”
                              





                 
                              (Encontrei esse video que é da passagem de 2011/2012. Esse ano quem ativou a bola do tempo foi o prefeito de NYc Michael Rubens e a Lady Gaga )

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011


olá simpáticos leitores, infelizmente eu acabei me enrolando essa semana e não preparei nada para o blog referente ao natal. Por isso desejo a todos um feliz natal com muita paz e muita harmonia e o resto da mensagem vocês já sabem Rsrs. E gostaria de dizer a quem ler essa mensagem que aproveite o seu natal. Por mais que alguns não sintam, natal é sim uma data diferente e não importa a sua religião, etnia, país. Onde que você esteja espero que o espirito natalino esteja com você.  Natal é uma época magica, é o momento que você pode se entregar a fantasia e acreditar. Acreditar sem medo, pois nesse dia tudo é possível e real. A magia não se vê, pois os olhos são céticos doentios e empiristas, ela é sentida pelo coração e pelo espirito. Então não deixem de acreditar nela, eu lhe garanto que ela se manterá em seu coração. E ficara lá cuidando dele e lhe ajudando a ter um ano harmonioso e tranquilo.

 muito obrigado a todos e um Feliz Natal :)



domingo, 18 de dezembro de 2011



Estou alguns dias atrasado, mas não queria que essa data passasse em branco, principalmente pela importância que ela esta tendo no destino do blog. Há alguns meses atrás, creio eu que dois eu pensei em desisti do jjrs pub. Infelizmente há um ano eu perdi quase que total o compromisso que tinha com essa pagina. Acho que pela questão de estar sempre atarefado e com vários outros projetos na cabeça. E nessa maré de desanimo resolvi dar uma olhada nos textos e descobri uma coisa que não sabia. Descobri que o jjrs pub estava a fazer 3 anos nesse ano no dia 16 de dezembro. E li alguns textos antigos e isso mexeu comigo. Por que o que mais me desanima aqui é a gigantesca sombra que paira sobre esse velho bar. Quando você gosta de escrever, o seu prazer esta ali em juntar letrinhas, fazer palavras e com elas criar mundos com frases. Aquilo ali já basta, mas alguns são ousados o bastante ao ponto de publicar o que se escreve. Essas pessoas são conhecidas como blogueiros e os mais audaciosos “escritores de livros”. E quando você tem essa audácia a vontade maior não é só mostrar o seu trabalho e sim receber uma retribuição em cima disso. Alguns dinheiro e alguns apenas um comentário. Isso, um comentário é o bastante pra atirar um sorriso no rosto de um blogueiro. É uma coisa tão simples mas possui milhares e milhares de funções e uma importância maior ainda. Você aprende, compartilha ideias, debate e o melhor cria amigos nesse mundo de apaixonados pela arte da escrita. Uma vez li o blog de uma amiga e busquei o link para comentar e não achei, e por motivos pessoais ela disse que tinha tirado. E senti a falta desse espaço para compartilhar a minha opinião. Acho que além da opinião o elogio sincero é o mais gostoso de um comentário. Sabe aquele elogio que você sente que a pessoa leu até o fim e realmente gostou. É isso que me da prazer em publicar. E essa carência bateu aqui no pub. Pode parecer, mas não estou implorando por comentários. E sim por mais atenção em quem quer ouvir a sua opinião. E pensando nisso eu cheguei a conclusão de não fechar as portas do bar. Até por que eu prometi que isso não aconteceria a uma de minhas leitoras. Que é uma das mais féis de todas. De todas as duas... Sim tenho apenas duas leitoras que estão sempre aqui, algumas pessoas aparecem por aqui tomam alguns drinks e os agradeço por isso e venham mais vezes. Mas essas duas hoje são o motivo pra eu não fechar o blog. Uma delas é a Ana do blog Cinema & Literatura que conheci a pouco tempo e que tem feito uma importantíssima companhia aqui nesse velho bar. E a outra é uma frequentadora de longas datas e melhor amiga que sempre esteve comigo, não só aqui, mas também nas quebradas da vida Gabriela do blog Queen Bee. E graças a presença dessas garotas e de todos que passaram por aqui que hoje eu posso dizer que o bar continuará aberto. Mas não como antes, para quem veio aqui a alguns meses atrás percebeu que tudo mudou. E isso é só uma pequena fase para as mudanças futuras do blog/pub. Estou publicando uma historia, baseada na ideia do blog enquanto preparo o novo Layout da casa. Junto com o visual tentarei aplicar uma rotina mais atualizada de textos etc. Espero que gostem. Desejo sucesso a todos. Feliz aniversario JJrs pub desejo a essa casa muitos e muitos anos de textos, drinks e muitos porres.
                               

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

jjrs pub part 3


Voltei pra casa a pé, havia deixado o meu carro com a minha namorada. Passando pelas ruas antigas de santos, comecei a imaginar a historia desse lugar. Como se tivesse vendo as pessoas que passaram por ali. É estranho você ver algo que já tem um certo tempo de idade. E ao imaginar isso lembrei do bar. Das historias vividas naquele local, dos bons momentos que muitas pessoas passaram lá, das gargalhadas que os bêbados do pub renderam ao meu avô e bisavó. Não podia acabar assim. Eu não podia deixar acabar assim. Pelo caminho de minha casa lembrei que passava pela antiga casa do bisavô. Mas ela já havia sido vendida, e se eu não me engando virou uma padaria.
Era uma enorme casa, lembro-me de quando criança ter brincado muito no pequeno jardim dos fundos. E Iluminando essas lembranças eu fui até lá. Ao chegar, entrei na padaria e perguntei o que eles haviam feito com as coisas que estavam aqui quando a padaria foi montada. A moça não soube me responder mas disse que o dono saberia. E como uma tom de desinteresse chamou um tal de seu Manoel. Logo surgiu um homem gordo, com uma cara amarrada por uma portinha que provavelmente levava a cozinha da padaria. Eu o fiz a mesma pergunta que fiz a moça e ele me respondeu com o mesmo tom de desinteresse da moça.

-joguei tudo no andar de cima. Só tinha coisa velha aqui, os sofás mofados joguei em um container de lixo mas o resto das coisas estão todas la em cima.

eu fiquei muito animado, seria a minha chance de encontrar esses documentos. E ai disse  ele:
- o senhor se incomodaria deu subir lá e procurar alguns documentos que estou precisando? Eu era bisneto do antigo dono dessa casa. E estou precisando desses documentos para salvar um bar da nossa família. É possível eu subir lá ? não vai durar mais que meia hora, eu juro!
- sim
- sim o que? Poderei subir?
- não, sim eu me incomodo. Vocês tiveram muito tempo pra retirar essa “ lixaiada” toda daqui antes de vender. Agora essa é minha propriedade e não quero ninguém vasculhando nada la em cima não.

Como já estava a escurecer e eu estava sem carro resolvi ir pra casa. Pelo tom dessa curta conversa já vi que não haveria negociação com esse cara. Ao chegar em casa contei a minha

namorada  os fracassos do dia e a historia do dono da padaria e a resposta dela logo saiu.

- mas como você é bobo amor. A padaria fecha daqui uma hora, é o tempo de nós tomarmos um banho, jantarmos e irmos pra lá.

sem entender o que ela quis dizer a questionei e ela disse:
- a gente vai invadir a padaria e procurar os documentos. Aquela casa é antiga as janelas de cima são ruins qualquer empurrão elas abrem. Vamos la entramos procuramos os documentos e saímos, nada de tão errado nisso.

na hora me pareceu um pouco de loucura, mas gostei da ideia. Acho que não havia mais duvidas por que estava prestes a me casar com essa garota. Mas enfim , assim seguimos o plano. Jantamos e fomos lá. Subir foi mais fácil do que eu esperava. Foi só subir pela caixa de luz nela segurar na sacada e um pouco de força nos braços já estávamos lá em cima. Ao adentrar pela casa, me senti triste ao ver as coisas do meu bisavô jogadas pela casa. Estava tudo espalhado. Livros pelo chão, uma pilha de tapetes em um dos cantos, um armário caído. Parecia realmente uma pilha de lixo. Sem luzes nos lustres tivemos que procurar a base de lanternas mesmo. E assim foi, papeis e papeis lidos e nada dos documentos. Camila minha namorada disse que ia para o quarto procurar. Lá ela ficou por algum tempo até gritar achei!

Corri para o quarto e lá estava ela sentada na cama com uma pilha de papeis amarrados por um barbante.

continua...

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

jjrs pub part 2


Ao entrar no sótão comecei a procurar a tal caixa indicada pela minha avó. Havia muita bagunça no local ”depois de toda essa confusão com o bar eu teria de arrumar esse sótão”. Após algum tempo de procura achei a caixa. Ela estava no fundo do sótão ao lado de uma TV aparentemente mais velha que eu. A caixa era o jeito descrito pela dona Jane. Tamanho médio, da marca inglesa Bush com o desenho de um radio antigo nela. Passei um pano sobre ela para tirar um pouco da poeira e desci para abri-la com a minha avó. Ao abrir a caixa me deparei com a foto de duas crianças na frente do pub. Elas eram o meu avó e minha avó. Dona Jane ao ver a foto começou a contar a historia daquele dia.
- foi nesse dia que conheci o seu avô. Meu pai era um grande pescador, e naquele dia ele havia pescado um tubarão de porte médio. Como um grande frequentador do bar ele levou o bicho para lá, para mostrar para seus amigos. Eu estava em casa e quando soube da noticia, fui lá com minha mãe para ver o tubarão. Ao chegar vi um garotinho magrelo em cima do tubarão. Ele não saia de lá parecia não ter medo daquele “bichão”. Logo ele me viu e perguntou se eu queria tocar. Fiquei com medo, mas passei a mão. Parecia que seu corpo era feito de lixa. Áspero que só o diabo. Depois disso fomos brincar, no estacionamento do bar. Passamos a manha toda juntos. Parecia que já nos conhecíamos há anos. Na hora do almoço minha mãe me chamou para ir pra casa. Um rapaz que estava tirando fotos do animal, perguntou a minha mãe se podia tirar uma foto nossa. Nós ficamos um pouco a frente do tubarão que já estava pendurado pronto para o corte. E assim tiramos essa foto. Mas na hora da foto esse rapaz de chapéu passou na frente do tubarão, por isso que o peixe não saiu na foto.

Sorrimos da historia por alguns minutos. Ela contava os detalhes com tanta alegria, dava para perceber em seus olhos. Depois da historia procuramos mais coisas na caixa. Achei um quadro com uma medalha, mas a historia desse objeto eu já sabia. Meu bisavô havia ganhado na segunda guerra quando morava na Inglaterra. Ele a deixou por anos no bar para mostrar a todos que entravam lá. Quando ele faleceu nossa família pensou que ele havia perdido. Procuramos pela casa inteira. E ninguém imaginou que ela estaria ali naquela caixa. E assim continuamos nossa exploração. Havia varias coisas em cima dos documentos. Uma taça de chope, varias tampinhas de cerveja – as que restaram da coleção do meu avô, fotos e mais fotos, a palheta e a foto do Bob Dylan- acredite se quiser mas ele tocou no nosso bar, e mais milhares de outros objetos. A cada um deles uma historia era contada. E finalmente cheguei aos documentos, porém com uma grande decepção. Havia muitos documentos como o do primeiro jukebox do bar- que custou o carro do meu bisavô, das mesas que foram compradas em uma viagem do velho John J. á Irlanda, dos azulejos do banheiro,  das janelas etc. Mas nada da madeira que cobria as paredes, do balcão e das estantes.
Minha avó disse que se não estivesse naquela caixa, os documentos não estariam em sua casa. Eu comecei a me preocupar, o seguro não estava querendo cobrir os estragos. Sem todos os documentos em mãos a minha chance de ter o bar de volta se tornaria quase nula.

Continua...