sábado, 28 de maio de 2011

A loucura esta nos olhos dos céticos, sem sonhos. Uma vez li em algum lugar a seguinte frase “vivemos em um hospício a céu aberto”. E achei essa frase genial, pois ela dita uma grande realidade na qual vivemos. As pessoas loucas não estão mais em hospícios como de costume, estão por ai soltas. Hoje uma pessoa que tem sonhos, que faz grandes planos, que viaja em sua mente, que realmente sabe aproveitar as coisas simples é ditada como louco. As pessoas tem se tornado preconceituosas com quem realmente sabe viver a vida. As coisas estão sempre muito alienadas em um plano que a sociedade imprimiu na biografia de cada um. Você deve nascer, estudar, entrar em uma faculdade e por fim se matar de trabalhar. Ou você já nasce rico, mas essa é outra historia. O que eu quero dizer é que as pessoas têm sido impedidas de sonhar e de aproveitar as coisas simples. As coisas simples que digo é a musica, a arte, a imaginação, a natureza. É possível ser feliz com apenas isso, e quem sabe fazer isso é ditado como o tal louco. Acredito que essa historia não vem de agora, Raul seixas que era ditado como o “maluco beleza” e na realidade atrás de toda aquela loucura escondia se um gênio que fazia da esquizofrenia de palavras confusas ,uma critica subliminar política para não ser preso ou espancado na maldita ditadura. E assim foram milhares de gênios, homens de criatividade surpreendente que deixaram este mundo como “malucos beleza”. E infelizmente vejo que isso vai continuar, essa historia não parece parar por ai. Mas voltando a frase que citei, é aqui que quero chegar. Existe aquela velha historia que os professores ensinam quando se entra na escola. Aquela na qual não se deve apontar para o coleguinha por que quando se aponta um dedo os seus outros quatro estão voltados para ti. Que na realidade são três por que o polegar fica sempre em outra direção, mas enfim. A frase que eu disse me chamou a atenção por esse sentido que ela faz. Os loucos hoje são os que acusam. São os céticos que tem tanto medo de sonhar que preferem deixar de acreditar. São as pessoas que se impedem de deitar e imaginar, os que criticam a arte, os que têm medo de ser louco. E tudo se explica louco que é louco se nega ser louco. E se eu pudesse fazer apenas um pedido as pessoas. Eu pediria que elas fosse loucos. Não o louco que critica e sim o louco que sabe aproveitar a vida. Aproveite os momentos simples. Mesmo sem a musica, dance. Dance como se estivesse em uma das melhores festas que já você já foi. Mesmo sem o papel escreva, crie contos em sua mente. Escreva historias em sua cabeça, use essa imaginação que nos foi dada para realmente ser usada. Mesmo sem saber o futuro, sonhe. Faça planos como se você soubesse que todos eles vão acontecer vivos, ou pelo menos sinta essa pequena alegria de achar que um dia acontecerá. Mesmo sem saber desenhar, desenhe. Faça rabiscos mirabolantes no papel como os de uma criança, o que vale é imaginar que milhares de linhas pretas vão virar um avião ou talvez um pássaro. E assim amigos vivam a vida. Esqueçam os críticos. Seja o louco que eles têm medo de ser. Seja o sonhador que eles têm medo de se tornar. Seja diferente, seja feliz!


Realmente precisava fazer um post pedindo desculpas pela minha grande ausência no blog. É que ando muito ocupado para pegar e escrever algo bacana pro blog. Tentei varias vezes. Mas prefiro não escrever a escrever algo nas coxas para apenas postar. Então mil desculpas aos meus fieis clientes desse velho pub. Na realidade minhas duas clientes. Sei que quase ninguém costuma entrar aqui para beber umas e ler uns textos, mas não será por isso que fecharei as portas e abandonarei esse bar. Então vou tentar postar pelo menos um texto por semana. Então boa diversão, abraço a todos. Ou melhor, as duas únicas pessoas que entram aqui rsrs

quinta-feira, 7 de abril de 2011


A maioria de meus contos se passam em NY. Eu não conheço pessoalmente a cidade. Mas apenas de vê-la em fotos e filmes eu sinto a essência que aquela cidade tem. Não é uma simples metrópole famosa por seus pontos turísticos. NY tem mais que isso.
Depois daquele dia de trabalho, o que Junior mais queria era terminar sua noite curtindo com seus amigos. Desde as nove da manha ele estava trancado no seu escritório tentando criar mais um edifício que futuramente seria plantado, regado com concreto e que logo cresceria no centro de NY. No final do expediente ele trancou sua sala e correu para o elevador antes que a porta fechasse. Dentro, sorriu para a moça que estava lá, colocou suas mãos nos bolsos de sua calça e passou a olhar pro painel de números ansioso para que logo chegasse ao térreo.
Era uma noite de quinta, mas os taxis não paravam. A rua estava infestada de taxis amarelos. A competição para pegar um era grande. A cortesia atrapalhava o garoto, que sempre deixava para os homens de paletó que saiam do prédio. Mas naquele dia a pressa era tão grande que ele era capas de brigar por um. E então finalmente um taxi parou, só que ao esticar seu braço quase que se encostou à mão de uma moça que foi mais rápida ao alcançar a maçaneta do carro. Ao ver que era a moça do elevador, ele cedeu o veiculo a ela. Ele a via todos os dias no corredor do trabalho não seria legal brigar por isso. E mais uma vez a disputa por outro taxi. Braço esticado, ansiedade no peito e a esperança de que logo apareça um indiano sorridente em um carro amarelo. E finalmente ele apareceu. Ao chegar em casa , a cada passo que dava ia tirando uma peça de roupa em direção ao banheiro , para um bom banho quente. Ele já estava atrasado. O ponto de encontro era na casa noturna Lotus que ficava na 409 oeste. Haveria um pequeno concerto de rock. A banda Beady Eye abriria um show acústico dos
Foo Fighters. A noite já prometia bastante. Ao chegar no concerto Junior aguardou pelos seus amigos. Cerveja, rock e mulheres. Era o final de noite comum para um homem como ele. Sentaram se então em uma mesa a esquerda do palco que não ficava nem a 3 metros deles. O local era pequeno, na terceira rodada que se fosse buscar as cervejas era o bastante para passar os olhos em todas as mulheres do local. Mas havia uma moça do outro lado da boate que Junior não tinha visto. E foi quando ele se levantou para dançar que ele viu aquela moça. Ela estava sentada em uma das mesinhas redondas altas. Loira vestindo uma blusa preta com detalhes cinza, um jeans escuro e uma bota de couro que pouco se destacava da calça devido à baixa iluminação do local. Parecia ser a garota que ele levaria pra cama, que iria embora ao dia seguinte e desapareceria adentro dos gigantes edifícios da cidade. Levou um tempo para ele criar coragem e chegar até a garota. Parecia que estava satisfeito em apenas fitar seus olhos na moça e observar. Ela possuía uma beleza tão singela, porém tão profunda. Seu rosto parecia possuir uma imensa doçura e sua boca era linda- um sorriso encantador. O show estava a se passar e ele não criou coragem de chegar a ela. Foi ai que ela o viu, envergonhada ela sorriu e olhou para o copo que estava em cima da mesa. Pouco tempo depois ela se levantou e se aproximou se dele. Sem que ele percebesse, ela o cutucou e disse:
-se continuar me olhando assim e não me pagar logo uma bebida terei de chamar o segurança.
ele sorriu com brincadeira dela, e a pegou pela mão e a guiou até o bar. Após pegarem algumas bebidas eles escolheram uma mesa e começaram a conversar. A partir do momento que ambos sentaram um a frente do outro, o local todo desapareceu. As pessoas, o bar, as caixas de som. Apenas restou a musica como fundo da conversa. Um estava interessado em conhecer cada vez mais o outro. Parecia que tudo havia desaparecido que eles estavam sozinhos lá e o que eles mais queriam era estar com o outro. Era mais um sintoma da paixão. Mas era estranho serem tão rápidos, eles mal se conheciam. Ela podia estar mentindo e ao invés de estudante de direito poderia ser uma prostituta querendo ganhar a noite de uma forma diferente e ele ao invés de engenheiro um vagabundo que ainda mora na casa de sua mãe. E mesmo com todo esse risco eles acabaram se entregando a paixão. Caíram na gargalhada por horas naquela noite. Historias, piadas, problemas pessoais... Pareciam que eram amigos há anos. E infelizmente a hora do show acabar estava a chegar. Os amigos de Junior já haviam ido embora, e a amiga de Alice havia saído com um cara do show. E assim eles continuaram. Sem nenhuma preocupação com a hora ou com o local que já estava vazio. Junior resolveu a convidar pra dançar, ele gritou o nome de uma musica que a banda já havia tocado. Mas como não havia mais quase ninguém a banda resolveu tocá-la novamente como despedida. A musica era
Times Like These, uma linda canção, era a predileta dele e por coincidência a dela também. Eles dançaram levemente sobre a pista como se flutuassem. Sentindo o corpo um do outro pareciam ser um só. Era aquela velha dança clichê entre casais nos bailes de primavera. Rostos encostados, algumas palavras no ouvido, uma das mãos do cara nas costas e outra do pescoço ao pé do cabelo da moça, dois passos pra um lado e um pro outro... E assim a musica terminou. Eles se olharam, encostaram testa sobre testa. E ficaram lá, se afogando um nos olhos do outro. A vontade de beija lá era enorme. Não tão maior quanto a que ele sentiu a noite toda. Mas o prazer maior era sentir a vontade, querer e estar próximo de ter e não deixar acontecer. Eles sentiram esse prazer à noite inteira já estava na hora do beijo. Ao chegarem ao apartamento dele repetiram a mesma cena que Junior havia feito depois do trabalho. A cada passo uma peça de roupa. E assim foi: a cada beijo vários toques, a cada batida do coração milhares de suspiros. Mas não era apenas prazer parecia ter algo a mais naquela cama. O amor parecia estar ali em algum lugar. Na manha seguinte, eles tomaram café juntos. E saíram pra trabalhar. Na mesma noite ela voltou ao apartamento dele para um jantar. E eles passaram a se ver varias vezes. E assim essa historia que seria apenas uma noite passou a ser de meses, anos, séculos. Prazer dura pouco, talvez minutos, horas ou algumas noites. Já o amor vale uma eternidade. Viaja com o tempo e é capas permear a vida e a morte. Ele esta em vários lugares. Cabe a cada um colocá-lo no coração e espalhá-lo pelo mundo.

terça-feira, 22 de março de 2011

Hoje resolvi escrever um post sobre escrever. Escrever falando por falado parece ser uma simples palavra. Mas quando se escreve percebe-se que a palavra não diz nem a metade do que é. O ato de escrever é incrível. Muitos dizem que não tem criatividade ou que não sabem escrever. Eu sempre acho esse tipo de comentário errado. Pra mim todos sabem escrever, todos têm o dom de escrever paginas ou talvez livros. Mas não conseguem pelo simples fato de não se entregarem a essa arte. Às vezes me acho um bom escritor, às vezes me acho um amador louco pra por idéias confusas pra fora que acaba as colocando de forma confusa e às vezes incompreensível. Porém eu continuo a escrever. Não sei explicar, mas eu não consigo parar. Criar se tornou um vicio. A cada dia que passa eu não vejo a hora de escrever mais um texto, botar mais uma idéia pra fora, criar um mundo novo. Às vezes na parada de ônibus, às vezes na sala de aula, às vezes no corredor da escola ou talvez dentro do carro. Idéias vêm e vão a todo o momento. Há três anos eu comecei a melhor das minhas criações. Eu comecei a escrever o meu primeiro livro. Talvez quando alguém ler ele não ache algo tão fascinante assim, ou tal vez ache algo péssimo. Mas eu queria poder expressar em palavras o orgulho que tenho de ter escrito um livro. Pode parecer estranho pra quem escuta. Mas é uma sensação magnífica. Você ter o seu próprio mundo, sua própria idéia, sua própria criação. Ali viva. Dividida em paginas e capítulos. Escrever é algo realmente magnífico. É só mais um meio de criar. Cada ser tem o seu jeito de criar. Alguns criam esculpindo pedras, outros pintando, alguns compõem e eu escrevo. Posso não ser o melhor, posso não ser nada fazendo isso, mas faço por que amo.


domingo, 20 de fevereiro de 2011


O dia amanhece e ele segue a rotina de milhões de pessoas no mundo. Acorda, se arruma e vai pra escola. O mais complexo de tudo isso é que por mais monótono que essa rotina seja, ela nunca é igual. Por mais que ele acorde na mesma hora, entre na condução na mesma hora. Os dias não serão iguais. É semelhante a teorias de Heráclito, no qual tudo é um fluxo permanente de mudanças.
Muitos discordaram dessa teoria, mas aos poucos descobri que ele esta correto. Não quero pregar a ideologia do homem e sim queixar-me de tal fato que vem importunando a minha vida. Desde pequeno eu acreditei que algo poderia se repetir, mas sempre me enganei.
Vamos pensar em uma viagem. É “a viagem”, aquela na qual foi à melhor até então. Você reuniu seus cinco melhores amigos. Vocês aproveitaram muito, e na ultima noite dentro daquele clima tenso-devido ao saber que esta a acabar. Todos se reúnem em um sofá, alguns no sofá, outros no tapete deitados sobre algumas almofadas. Todos brincando muito, mesmo assim ainda meio triste por amanha terem de voltar pra casa. E ai alguém diz:
- ano que vem a gente volta!
Todos gritam alegremente aprovando a idéia, dizendo que voltaram. Um ano se passa e eles não voltam. Alguns até chegam a ir, mas nem todos. Foram historias semelhantes a essa,que me fizeram ver como fatos não se repetem. Por mais que tenha sido maravilhoso, a segunda vez não é igual. Nem todos podem comparecer ou até mesmo acabam perdendo a vontade de ir. E assim vai festas, encontros, dias, filmes, viagens. Não tem uma segunda vez. Um segundo encontro no qual foi igual o primeiro , todos se divertiram , freqüentaram os mesmos locais etc.
os eventos não se repetem, não que eu queira que a vida seja mais monótona do que ela já é. Mas o que me deixa triste é o fato de momentos bons não acontecerem de novo. Não gostaria de uma viagem semelhante a ultima, mas uma viagem no mesmo clima da ultima. Com as mesmas pessoas, com a mesma alegria. Eu queria poder ter momentos bons de volta.
Queria que o próximo ano fosse igual ao ano passado. Claro com melhorias, mas eu gostaria de ver meus amigos unidos como antes.
Esse ano programei tantas coisas sempre mantendo o foco de todos juntos. E o ano começou, um se afastou, logo foi outro e depois outro e assim foi. Hoje cada um esta seguindo o seu rumo. E o ano não vai ser como o passado. Nem ao menos para ter a oportunidade de corrigir certos erros.
tudo muda, pessoas, lugares, momentos. Hoje eu sei que o show de ontem, ou o passeio no parque, a visita aos telescópios até mesmo aquela visita ao zoológico, não vai se repetir. Não vai ser igual, a essência se perde facilmente dando a oportunidade de fatos acontecerem uma vez só. O que nos resta é aproveitar e não se iludir com planos de uma segunda vez.



sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Mais um final de mais uma serie e mais uma historia. É muito difícil de explicar o que é esse sentimento que se causa quando se assiste uma serie. Essa relação que envolve que emociona e que te faz chorar quando acaba. Ano passado eu perdi a maior serie de todos os tempos. Realmente lost foi incrível. Em seis anos que eu acompanhei a serie eu vivi momentos com aqueles personagens.
Ouve temporadas que realmente me desanimaram, mas você se apega tanto aquela historia que só da conta de parar quando realmente acaba. E quando realmente acaba você olha tudo que já passou e pensa “eu não acredito que esse é o ultimo”.
lost foi realmente uma serie que vou guardar por toda a minha vida. Em um futuro encontrei series maravilhosas, e sou ousado ao ponto de dizer que foram tão boas quanto lost. Mas essa serie marcou a minha vida pelo tempo. Foram seis anos assistindo, crescendo junto com aquilo. A minha adolescência esta marcada com a serie. E hoje eu assisti o ultimo episodio de Friday Night Lights, essa também foi fantástica.


Mas o tempo infelizmente foi curto dos cinco anos de cinco temporadas eu assisti todas em menos de um mês. Não pude vivenciar anos com os personagens e com a história. Mas eu digo que foi o bastante. Foi uma serie que entrou para historia. Com tão pouco tempo eu consegui me envolver de uma maneira incrível.
Chorei , sorri e gritei muito nas partidas exibidas na serie.
Quando lost acabou eu não tive coragem de tentar escrever algo por que realmente eu estava abalado. Estranho dizer isso, mas eu estava. Eu queria poder entender o porquê de tanto envolvimento com uma ficção, com uma historia com algo que não existe.
Nesse meu pouco tempo de vida na casa dos dezesseis eu nunca vi tal sentimento tão complexo e tão surreal.
Series e filmes são coisas que realmente amo. Eu vejo uma magia por trás daquela tela. Uma magia que cativa, que me prende e me faz viajar nas mais diversas historias inventadas pelo homem. É realmente magnífico, ver uma historia acontecer.
Desde criança todos adoram escutar os pais lendo aqueles livrinhos finos de historinha. Ao escutar as palavras todos viajam naquele mundo meio embasado. Quando se escuta ou quando se lê uma historia você trabalha fazendo pequenas criações. Cria lugares, a face de cada personagem e as cores.
Quando se assiste a imaginação realmente não trabalha tanto. Mas pra mim a emoção dobra. Os filmes e as series possuem elementos que me deixa encantado. A trilha sonora, as imagens, ver os personagens me faz viver mais aquilo.
A câmera cria algo que te faz permear a historia. E assim você se envolve. A catarse não acontece apenas em filmes e series. Mas esse sentimento, essa emoção te deixa realmente perplexo com essa mágica.
esse texto pode não ter saído dos melhores. Eu não tinha realmente o que escrever eu apenas queria escrever. E falar de coisas que gosto , é difícil é difícil de expressar todo aquele sentimento . A palavra adequada é magnífico.

Agora estou me despedindo de lost da maneira mais adequada , escrevendo um texto por todos esses anos. Vou deixar aqui a melhor musica que tocou na serie para quem realmente foi fã. Jamais será esquecida

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Mais um dia havia nascido. Somando todos eles e dividindo em anos, dava mais ou menos 18 . E ele continuava lá sentado naquela maldita poltrona. Os filhos do vizinho brincavam na rua. Dava para escutar o barulho das crianças de lá de dentro da casa. E ele nem ligava com o barulho, era só aumentar o volume da TV que logo tudo ao redor dele deixava de existir. A vida dele passou a ser a sua TV e o DVD. Filmes e filmes. A paixão virou um vicio. Ele se escondia atrás daquela TV todos os dias, se escondia dentro da ficção para não ver a realidade. Já fazia seis meses que ela havia partido. Com o fim da escola ela teve que se mudar por causa da faculdade. Depois que ela partiu, ele foi junto. Não havia mais um ser dentro daquele corpo. Depois que amor se foi sobrou apenas um vazio. Escuro e triste. E os dias se passavam, todos ao redor da poltrona se preocupavam cada vez mais com ele. Mas naquela manha algo aconteceu. Mesmo com a TV em um volume estrondoso ele escutou um barulho vindo da janela. Era pior do que ele imaginava. Ao olha pra trás ele viu uma pequena bola amarela, quicando pela sala. Sem pausar o filme, deixou a sala e saiu de casa. A claridade o deixou meio sem visão, em segundos a nitidez voltou. E uma jovem correu em direção a casa dele. Ela correu com uma cara furiosa. Que logo foi esclarecida com os berros que ela deu nos garotos. Mandando todos pra casa, ela foi em direção a Junior. Ele estava parado na porta de casa sem se preocupar muito com o que tinha acontecido. A moça o cumprimentou e se apresentou como Julia. Desesperada e com vergonha pediu desculpas pelo estrago dizendo que ia pagar. E Junior não disse absolutamente nada. Eles ficaram se olhando por alguns instantes. As casas do bairro não possuíam muro, eram semelhantes as casa do subúrbio americano. Na frente da casa havia um jardim, com uma grama verdinha. A grama era molha periodicamente por um sistema automático. E enquanto eles se olhavam, os aspersores de água subiram e começaram a jogar água para todos os lados. A garota começou a se molhar, ela correu se aproximando de Junior, para fugir da água. Ele sorriu e se apresentou.

- prazer, sou Junior
-prazer! Eu acabei de me mudar, mas como sua vizinha não sabia que morava alguém da sua idade aqui.
- é eu não costumo sair muito. Mas já conheço os seus irmãos de vista.
ela sorri, passa sua mão no cabelo jogando-o para trás e diz
- todo mundo já os conhece. São bem famosos na rua devido as encrencas que eles causam.
Junior pega o controle do DVD que havia colocado no bolso pausa o filme e faz uma pergunta a moça.
- já conhece a vizinhança?
- mais ou menos já andei por ai, mas não conheço muita coisa.
- ta a fim de conhecer agora?
- pode ser. Diz ela tirando um sorriso tímido do rosto.

Ele fecha a porta, e os dois saem pela rua, a pé. Conhecendo as casas e falando sobe os vizinhos. A escuridão dentro dele estava desaparecendo, era tudo com um passe de mágica. O sangue parecia ter voltado a circular. Ele estava se sentindo vivo. Havia acabado de conhecer a moça. Mas mesmo com o pouco tempo a linda aparência e sua simpatia, já encantavam o garoto. E de sorrisos tímidos a gargalhadas contagiantes, os dois tiveram um dia maravilhoso. Um dia de muitos que viriam. O amor se torna um pesadelo quando vai embora, mas ele sempre volta. Não importa dentro de quem, só não deve desistir que logo encontrará o seu. E quando for realmente o certo, ele ficará contigo para sempre.