Ao entrar no sótão comecei a procurar a tal caixa indicada
pela minha avó. Havia muita bagunça no local ”depois de toda essa confusão com
o bar eu teria de arrumar esse sótão”. Após algum tempo de procura achei a
caixa. Ela estava no fundo do sótão ao lado de uma TV aparentemente mais velha
que eu. A caixa era o jeito descrito pela dona Jane. Tamanho médio, da marca
inglesa Bush com o desenho de um radio antigo nela. Passei um pano sobre ela
para tirar um pouco da poeira e desci para abri-la com a minha avó. Ao abrir a
caixa me deparei com a foto de duas crianças na frente do pub. Elas eram o meu
avó e minha avó. Dona Jane ao ver a foto começou a contar a historia daquele
dia.
- foi nesse dia que conheci o seu avô. Meu pai era um grande pescador, e
naquele dia ele havia pescado um tubarão de porte médio. Como um grande
frequentador do bar ele levou o bicho para lá, para mostrar para seus amigos.
Eu estava em casa e quando soube da noticia, fui lá com minha mãe para ver o
tubarão. Ao chegar vi um garotinho magrelo em cima do tubarão. Ele não saia de lá
parecia não ter medo daquele “bichão”. Logo ele me viu e perguntou se eu queria
tocar. Fiquei com medo, mas passei a mão. Parecia que seu corpo era feito de
lixa. Áspero que só o diabo. Depois disso fomos brincar, no estacionamento do
bar. Passamos a manha toda juntos. Parecia que já nos conhecíamos há anos. Na
hora do almoço minha mãe me chamou para ir pra casa. Um rapaz que estava
tirando fotos do animal, perguntou a minha mãe se podia tirar uma foto nossa. Nós
ficamos um pouco a frente do tubarão que já estava pendurado pronto para o
corte. E assim tiramos essa foto. Mas na hora da foto esse rapaz de chapéu
passou na frente do tubarão, por isso que o peixe não saiu na foto.
Sorrimos da historia por alguns minutos. Ela contava os detalhes com tanta
alegria, dava para perceber em seus olhos. Depois da historia procuramos mais
coisas na caixa. Achei um quadro com uma medalha, mas a historia desse objeto
eu já sabia. Meu bisavô havia ganhado na segunda guerra quando morava na
Inglaterra. Ele a deixou por anos no bar para mostrar a todos que entravam lá.
Quando ele faleceu nossa família pensou que ele havia perdido. Procuramos pela
casa inteira. E ninguém imaginou que ela estaria ali naquela caixa. E assim
continuamos nossa exploração. Havia varias coisas em cima dos documentos. Uma
taça de chope, varias tampinhas de cerveja – as que restaram da coleção do meu
avô, fotos e mais fotos, a palheta e a foto do Bob Dylan- acredite se quiser
mas ele tocou no nosso bar, e mais milhares de outros objetos. A cada um deles
uma historia era contada. E finalmente cheguei aos documentos, porém com uma
grande decepção. Havia muitos documentos como o do primeiro jukebox do bar- que
custou o carro do meu bisavô, das mesas que foram compradas em uma viagem do
velho John J. á Irlanda, dos azulejos do banheiro, das janelas etc. Mas nada da madeira que
cobria as paredes, do balcão e das estantes.
Minha avó disse que se não estivesse naquela caixa, os documentos não estariam
em sua casa. Eu comecei a me preocupar, o seguro não estava querendo cobrir os
estragos. Sem todos os documentos em mãos a minha chance de ter o bar de volta
se tornaria quase nula.
Continua...
